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A TEORIA DO DIPOLO

Por definição, dipolo é um conjunto formado por duas cargas de sinais contrários, mesmo valor, separadas por uma distancia "x". A origem do dipolo estará sempre voltada para o lado negativo (ou menos positivo), enquanto a extremidade estará sempre voltada para o lado positivo, sejam em quais situações forem.

Fig 3.1

Uma célula em repouso apresentaria um dipolo orientado de dentro para fora, já que o exterior é mais eletropositivo:

Uma célula em repouso, não permite corrente entre os meios intra e extracelular, devido à grande resistência da membrana. Entretanto, quando ela sofre um estímulo supraliminar em determinada área da sua superfície, ocorre queda da resistência, permitindo o trânsito de íons. A célula miocárdica tem a capacidade de propagar, de célula a célula, o impulso elétrico gerado pelo estímulo supraliminar, através um processo de despolarização contínua. A forma como as células cardíacas se ligam umas às outras, facilita essa propagação.

Fig 3.2

Quando o coração se despolariza, ele cria centenas de milhares de dipolos, que se dirigem do nódulo sinusal ao miocárdio contrátil ventricular.

A figura de numero 1 (Repouso), apresenta uma célula em pleno repouso elétrico, representada esquematicamente com cargas positivas em seu exterior e com cargas negativas em seu interior, caracterizando o fato de ser mais positiva por fora do que por dentro.

· A figura de número 2 (Ativação), apresenta uma mão apontando para o ponto onde a célula sofre um estímulo despolarizante. A partir desse ponto, e percorrendo toda a superfície da célula, as cargas vão se invertendo. A célula vai se tornando negativa por fora e positiva por dentro. Se fosse possível parar esse processo de ativação (ou despolarização) exatamente no centro da célula, teríamos a visão teórica do "Dipolo de Ativação". Ele nada mais é do que uma representação vetorial, cuja extremidade aponta sempre para o lado positivo. Vemos , portanto, a célula sendo estimulada à sua esquerda, com o processo de ativação ou despolarização "correndo" da esquerda para a direita. O dipolo de ativação também se direciona paralelo ao processo de ativação, respeitando o sentido da esquerda para a direita, exigido nesse caso.

· Conclui-se, portanto, que, na despolarização, o sentido do processo ("correndo" da esquerda para a direita), É O MESMO SENTIDO DO DIPOLO (da esquerda para a direita).

· A figura de número 3 (Despolarização), representa uma célula plenamente ativada (ou despolarizada), com maior positividade em seu interior.

Facilmente dedutível que, se a célula foi despolarizada a partir de um estímulo aplicado em determinado ponto, ela começará a repolarização a partir desse mesmo ponto (local onde as estruturas celulares dispuseram de mais tempo para se recuperarem). A repolarização terá início, conforme exemplo n° 4 da figura 3.2, à esquerda, tomando o mesmo sentido da despolarização (da esquerda para a direita), invertendo as cargas e buscando a retomada da situação inicial, exemplificada no n° 5 da figura 3.2.

· Se pudéssemos parar a repolarização (exemplo n° 4 da figura 3.2) no ponto em que o dipolo passa pela metade da célula, veríamos metade dela recuperada e a outra metade a se recuperar. Entretanto, há uma grande diferença em relação à despolarização: o dipolo de recuperação, respeitando o sentido do vetor (sempre com a extremidade voltada para o positivo), “aponta” agora para a esquerda. Pode-se, para facilitar o entendimento, usar o artifício didático (cientificamente incorreto, porém) de imaginar que o dipolo, na recuperação, “corre de costas”.
· Conclui-se, portanto, que, na repolarização, o sentido do processo ("correndo" da esquerda para a direita), É INVERSO AO SENTIDO DO DIPOLO (da direita para a esquerda).

· A figura de número 5 (Repouso), apresenta a célula "de volta" ao estágio inicial, novamente em repouso elétrico.

RELAÇÃO DIPOLO/ELETRODO


As deflexões eletrocardiográficas dependem sempre das relações entre dipolo e eletrodo. Um mesmo fenômeno elétrico causa deflexões diferentes se visto de posições diferentes.

1. Despolarização (ou ativação)



Fig 3.3 - O traçado é agudo, representativo da grande velocidade do processo. O dipolo “caminha” da esquerda para a direita, o eletrodo "A" observa-o unicamente pela origem, criando a uma deflexão unicamente negativa. O eletrodo “B” observa o dipolo inicialmente pela extremidade, inscrevendo uma deflexão inicialmente positiva. A progressão do dipolo de A para C, leva-o a passar exatamente sob o eletrodo B, momento exato em que o traçado – que era positivo – volta à linha de base. O dipolo continua “caminhando” para a direita, passando agora a expor sua origem ao eletrodo “B”, que, conseqüentemente, passa a desenhar uma onda abaixo da linha de base, negativa. Na posição “C”, um eletrodo só consegue observar o dipolo pela extremidade, inscrevendo unicamente uma figura positiva.

2. Repolarização (ou recuperação)


Fig 3.4 - O traçado é mais largo, encurvado, pelo fato de ser um processo mais lento (consumindo tempo, variável que fica na horizontal). O dipolo “caminha” da esquerda para a direita (como se o fizesse “de costas”). O eletrodo "A", observa o dipolo unicamente pela extremidade, dando origem a uma deflexão unicamente positiva – esse eletrodo vê o dipolo “fugindo de costas”. O eletrodo “B” observa o dipolo inicialmente pela origem, inscrevendo uma deflexão inicialmente negativa. A progressão do dipolo de A para C, leva-o a passar exatamente sob o eletrodo B, momento em que o traçado – que era negativo – volta à linha de base. O dipolo continua “caminhando” para a direita, passando a expor sua extremidade ao eletrodo “B” que, conseqüentemente, passa a desenhar uma onda acima da linha de base, positiva. Na posição “C”, o eletrodo só consegue observar o dipolo pela origem, inscrevendo unicamente uma deflexão negativa.