Hiperpotassemia

 

1 - Diagnóstico

      É definido como níveis de potássio acima de 5 mEq/l.

 

2 - Conduta:

a) Pode surgir em presença de acidose, nesse caso deve-se corrigir a acidose e reavaliar os níveis de potássio.

b) Se o pH estiver normal, deve-se prescrever glicose associada a insulina, com o objetivo de fazer o potássio entrar na célula.

      Sugestão:

       1. Glicose a 50% ............. 200 ml

           Glicose a 10% ............. 300 ml

           Insulina simples ..........   15 UI

           Uso: correr em bomba de infusão a 83 ml/h

       2. Kayexalate (resina “trocadora” de íons): 

           Uso: uma colher de sopa VO a cada 2 horas, diluida em água, ou fazer enema (4 colheres em 500 ml de água)

c) Diálise em casos extremos

 

D.F.S., 61 anos, com relato de diminuição progressiva dos níveis de consciência há uma semana. Ritmo sinusal, FC: 52 bpm, SÂP: 90°, SÂQRS: -80°, SÂT: 75°, P: 60 ms, PR: 720 ms, QRS: 200 ms. Morfologia sugestiva de BRD em V1 e DI + repolarização sugestiva de origem septal + SÂQRS no segundo quadrante + atraso do pico da onda R de aVR em relação ao de aVL + morfologia rS em DII, DIII e aVF. Tais dados nos conduzem facilmente a um BRD de terceiro grau + BDAS. Entretanto, o limite superior de duração para um bloqueio de terceiro grau é 170 ms (no caso de BRD esse limite é ainda menor; portanto, por si só, um bloqueio de ramo jamais levaria um QRS para mais de 170 ms). Um QRS de 200 ms, mesmo que isoladamente, já nos faria procurar outra causa além do bloqueio, a associação com um PR muito longo + ondas T apiculadas (particularmente em V4, V5 e V6) + ondas P de baixa amplitude + tendência à formação de um único complexo multifásico sugere hiperpotassemia. Se não dispomos de outros dados além do ECG, deve-se colocar a conclusão de hiperpotassemia sob a forma de interrogação (o ECG apenas SUGERE hiperpotassemia, a conclusão é laboratorial). Caso tenhamos a informação de um potássio elevado significativamente, poderemos afirmar tal conclusão. Nesse caso em particular, o potássio sérico estava em 8,8 mEq/l (creatinina e ureia bastante elevados).

 

Critérios eletrocardiográficos para hiperpotassemia:

 

1) Onda T simétrica, alta e pontiaguda.

Essa alteração pode estar presente com elevações discretas a moderadas. Em níveis mais elevados de potássio esse caráter nem sempre se sobressai, chamando mais a atenção as outras anormalidades.

 

2) Alargamento do complexo QRS.

Alteração que surge, comumente, com níveis em torno de 7 mEq/l.

 

Importante: 

Quando o potássio começa a aumentar, as ondas T começam a ficar apiculadas (em "tenda")... TODAVIA, quando os complexos QRS começam a alargar (isso ocorre em níveis mais elevados de potássio), essas ondas T apiculadas são como que "esticadas" e acabam perdendo altura. Por isso, quando os níveis de potássio estão muito elevados, as ondas T podem não estar apiculadas e elevadas por causa de um QRS muito largo (veja no exemplo do ECG acima).

 

3) Diminuição de amplitude da onda P e aumento de duração do PR.

Surge com níveis acima de 7 mEq/l.

 

4) Potássio acima de 9 mEq/l faz desaparecer a onda P (condução sino-ventricular por inexcitabilidade atrial).

 

5) Segue-se QRS-T em um único complexo.