Repolarização tipo juvenil - persistência do padrão juvenil - 2.

E.V.S., 24 anos, com queixa de mal-estar precordial atípico há 24 horas.

 DADOS DO EXAME:

Ritmo: sinusal

FC: 71

SÂP: 45°

SÂQRS: 45°

SÂT: 40°

P: 100 ms

PR: 190 ms

QRS: 80 ms

 

CONSIDERAÇÕES GERAIS:

* Dados do cabeçalho dentro dos limites de normalidade. <

1. Presença de ondas T negativas de V1 a V3, francamente assimétricas, evoluindo gradativamente no sentido da positividade de V4, sem anormalidades de ST e/ou presença de ondas Q.

 

CONCLUSÕES:

1. Eletrocardiograma normal, repolarização septal tipo juvenil

 

TEXTO EXPLICATIVO:

A projeção do vetor resultante de T no plano precordial encontra-se normalmente no limite de V5, estendendo-se pouco além de V6 como o máximo de normalidade. Equivale dizer que a onda T é sempre positiva em V5 e V6 (derivações que sempre observam o vetor resultante pela extremidade), independente de idade.

Em adultos, a polaridade da onda T é bastante variável em V1, pouco variável em V2 (geralmente positiva), só excepcionalmente não sendo positiva em V3 e V4.

A onda T normal é assimétrica, tem o ramo ascendente lento e o ramo descendente rápido. Toda onda T simétrica é patológica, EMBORA nem toda repolarização patológica seja traduzida como uma onda T simétrica. < < Isso significa que é possível observarmos pacientes comprovadamente coronariopatas (portanto isquêmicos), com ondas T assimétricas e de polaridade normal (portanto, com repolarização eletrocardiograficamente normal), embora seja ela a responsável primária pela tradução gráfica da insuficiência coronariana. Entretanto, um paciente assintomático com ondas T simétricas deve ser avaliado mais detidamente, pois a simetria é sempre patológica. Seus limites de normalidade no plano frontal estão entre -10° e 90°.

Sabe-se que o SÂT na CRIANÇA está direcionado bem além da linha de V6, podendo, portanto, ultrapassar até a perpendicular de V4, o que equivale dizer que a onda T é freqüentemente negativa até V3, com certa freqüência até  V4, nunca em  V5  e  V6. Essa resultante vai se direcionando para frente com o passar dos anos, sendo que no IDOSO muito raramente teremos ondas T negativas e normais, mesmo em V1 e V2.

Ocasionalmente, observam-se adultos com padrão de repolarização precordial típico de crianças e adolescentes, caracterizado pela presença de ondas T negativas nas derivações precordiais septais (V1 a V4), sem que haja qualquer problema clinicamente identificável. Esse achado é conhecido como “persistência do padrão juvenil”, provavelmente produzido pela transmissão dos potenciais da superfície cardíaca (os eletrogramas da superfície epicárdica registram ondas T negativas) às derivações que não sofrem a interposição dos pulmões (V2 a V4).  

Keywords: 
juvenil padrão persistência repolarização